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terça-feira, 14 de julho de 2009

Questão 10

(Agente Fiscal de Rendas/Secretaria de Estado dos Negócios da Fazenda do Estado de São Paulo/VUNESP)
Assinale a alternativa em que os versos, reescritos, estão CORRETOS quanto à concordância verbal.

a) Numa cidade onde a Verdade, a Honra e a Vergonha desaparece.

b) Numa cidade onde faltam cultivar a Verdade, a Honra e a Vergonha.

c) Numa cidade onde não devem haver a Verdade, a Honra e a Vergonha.

d) Numa cidade onde a Verdade, a Honra e a Vergonha não está.

e) Numa cidade onde a Verdade, a Honra e a Vergonha não existem.

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Comentários:

Para teoria, visite: http://portuguesdeverdade.blogspot.com/2009/07/teoria-para-concursos.html

O comando desta questão pede para que achemos a única opção correta.

a) Numa cidade onde a Verdade, a Honra e a Vergonha desaparece. Errado. De acordo com as regras de concordância verbal, verbo posposto a um sujeito composto deve concordar com todos os seus núcleos; devendo, portanto, ir para o plural. O correto seria "... a Verdade, a Honra e a Vergonha desaparecem."

b) Numa cidade onde faltam cultivar a Verdade, a Honra e a Vergonha. Errado. A princípio poderíamos achar que "faltam cultivar" se trata de uma locução verbal, mas não é. O verbo "faltar" sozinho possui carga de sentido, ao contrário dos verbos auxiliares. Poderíamos muito bem reescrever a frase suprimindo o verbo "faltar" ou o verbo "cultivar", com as devidas alterações gramaticais. Perguntemos ao verbo quem é seu sujeito. O que falta? "Cultivar a Verdade, a Honra e a Vergonha". O sujeito é toda essa oração, que é oração por conter um verbo (cultivar); sendo, portanto, sujeito oracional. A regra de concordância com o sujeito oracional é SEMPRE (com rara exceção) permanecer em terceira pessoa do singular. O correto seria "... onde falta cultivar a Verdade, a Honra e a Vergonha."

c) Numa cidade onde não devem haver a Verdade, a Honra e a Vergonha. Errado. O verbo "haver", principal da locução, possui o sentido de "existir"; sendo, portanto, impessoal e devendo seu verbo auxiliar se manter na terceira pessoa do singular. O correto seria "onde não deve haver". "A Verdade, a Honra e a Vergonha" da questão em tela não é sujeito, mas objeto direto da locução.

d) Numa cidade onde a Verdade, a Honra e a Vergonha não está. Errado. Verbo posposto a um sujeito composto deve concordar gramaticalmente com seus núcleos. O correto seria "a Verdade, a Honra e a Vergonha não estão."

e) Numa cidade onde a Verdade, a Honra e a Vergonha não existem. Correto. O verbo "existir" posposto ao sujeito composto deve concordar gramaticalmente, o que de fato ocorre.

Gabarito: letra e

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Teoria para concursos

Pessoal,

Ao invés de ficar postando teorias aqui, postarei somente questões resolvidas, acho que será melhor.

Para teoria, baixem a apostila da Cláudia Kozlowski: http://www.4shared.com/file/61490470/ef2b9e3a/Portugus_-_Cludia_Koslowisk.html

Este é o melhor material de português para concursos que se pode encontrar.

Se tiverem alguma dúvida, quiserem uma explicação mais aprofundada, deixem um comentário na questão específica que farei o possível para ajudá-los.

Sempre marque logo abaixo se você entendeu ou não a explicação. Assim saberei se estou sendo claro o suficiente. Agradeço!

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Teoria: Concordância Nominal - 1 Substantivo para 2 ou mais Adjetivos

Extraído de: http://www.soportugues.com.br/secoes/sint/sint59.php (com pequenas adaptações)

Quando um único substantivo é modificado por dois ou mais adjetivos no singular, podem ser usadas as construções:

a) O substantivo permanece no singular e coloca-se o artigo antes do último adjetivo.

Por Exemplo:

Admiro a cultura espanhola e a portuguesa.

Este artigo "a" está sendo utilizado não para substantivar por derivação imprópria o adjetivo portuguesa, mas como pronome substantivo que substitui "cultura" para evitar repetições que prejudicariam a estilística do texto.

b) O substantivo vai para o plural e omite-se o artigo antes do adjetivo.

Por Exemplo:

Admiro as culturas espanhola e portuguesa.

Obs.: veja esta construção:

Estudo a cultura espanhola e portuguesa.

Note que ela provoca incerteza: trata-se de duas culturas distintas ou de uma única, espano-portuguesa? Procure evitar construções desse tipo.

Teoria: Plural de adjetivos compostos

[Esta lição está bem superficial; mas servirá, por enquanto, para a resolução de um exercício]

Se te pergunto: olhos verde-claro, verdes-claro, verdes-clara ou verde-claros?

Saberia me dizer a resposta?

Essa é uma dúvida muito frequente mas que a partir de hoje não mais ocorrerá!

O adjetivo deve concordar com o substantivo a que se refere em gênero e número.

Neste caso, a regra é:

As duas palavras são adjetivos? Só o segundo irá variar.

"Questões político-partidárias";

"Olhos castanho-claros";

"Senadores democrata-cristãos".

Exceção: surdos-mudos

A primeira é adjetivo e a segunda substantivo? Nenhum dos dois irá variar.

(Isso funciona somente para cores)

"Tapetes verde-musgo";

"Saias-amarelo-ouro";

"Olhos azul-turquesa";

Resumindo:

Adjetivo-Adjetivo = Segundo irá variar
Adjetivo-Substantivo = Nenhum irá variar


E a resposta da indagação é olhos verde-claros! Você acertou?

Teoria: Concordância Nominal - Regra Geral

Bom dia,

Agora falaremos sobre a regra geral de concordância nominal.

Antes de tudo, o que vem a ser concordância nominal?

Concordância nominal é a ação de concordar, harmonizar os "nomes" uns com os outros em uma construção frasal.

"Nome" é uma caracterização dada às seguintes classes de palavras: Substantivo, artigo, adjetivo, pronome adjetivo e numeral adjetivo. Essas 5 classes de palavras formam juntas, em uma frase, o que podemos chamar de sintagma nominal.

Sintagma nominal: Em qualquer enunciado, os signos linguísticos ligam-se uns aos outros formando grupos. Esses grupos são chamados sintagmas. Um sintagma nominal é um grupo que tem como base ou núcleo um substantivo ou termo equivalente (Como um adjetivo "substantivado" através de derivação imprópria: Ex. O belo.)

Ex.: "As verdadeiras amizades nunca morrem"

No exemplo acima o sintagma nominal "As verdadeiras amizades" tem como núcleo o substantivo "amizades".

Portanto, na concordância realizada em um sintagma nominal, o substantivo é o carro-chefe, devendo artigo, adjetivo, pronome adjetivo e numeral adjetivo com ele se harmonizar, ou seja, devem concordar em gênero e número.

Resumindo: a regra geral para construções com somente um substantivo é que o artigo, o adjetivo, o pronome adjetivo e o numeral adjetivo concordem com ele.

Vejamos agora como estabelecer a concordância nominal de um adjetivo que se refere a mais de um substantivo.

CONCORDÂNCIA DO ADJETIVO:

O adjetivo (classe gramatical) pode exercer as seguintes funções sintáticas: Adjunto adnominal, predicativo do sujeito ou predicativo do objeto.

1 - Adjetivo na função de adjunto adnominal

Adjunto adnominal é o termo que determina, especifica ou explica um substantivo, tem caráter permanente, ao contrário do predicativo do sujeito, como veremos mais adiante. É aquele que está junto, junto, muito junto ao substantivo e exerce função adjetiva na oração.

Ex.: "A bela Maria e Paula estavam sentadas no jardim."

Maria: substantivo
Paula: substantivo
bela: adjetivo (adjunto adnominal do sujeito composto - característica permanente)

Podem ser classificados como adjunto adnominal, além do adjetivo, os outros componentes do sintagma nominal (excluindo-se, por óbvio, o substantivo).

No exemplo acima:

A: artigo definido (adjunto adnominal)


1.1 - Adjunto adnominal anteposto a mais de um substantivo:

Quando o adjetivo, na função de adjunto adnominal, é colocado antes de mais de um substantivo, estabelecerá concordância atrativa, ou seja, concordará com o mais próximo.

"Utilizaram péssima imagem e colorido." (atrativa)


"Utilizaram péssimo colorido e imagem." (atrativa)


1.2 - Adjunto adnominal posposto a mais de um substantivo:

Neste caso a concordância poderá ser tanto atrativa quanto gramatical.

"Utilizaram dinheiro e tecnologia brasileira." (atrativa)

"Utilizaram tecnologia e dinheiro brasileiro." (atrativa)

"Utilizaram dinheiro e tecnologia brasileiros." (gramatical)


2- Adjetivo na função de predicativo

Predicativo é a palavra que modifica a significação de um substantivo por meio de um verbo de ligação explícito ou implícito no período.

Verbo de ligação são verbos que não geram a noção de ação, apenas ligam um sujeito a um predicativo. Funcionam apenas como um conectivo.

" Os alunos são estudiosos"

Os alunos: sujeito
são: verbo de ligação
estudiosos: predicativo do sujeito

- Tipos de predicativo:

- Predicativo do sujeito com verbo de ligação explícito:

"Todos os presentes são estudiosos"

Todos os presentes: sujeito
são: verbo de ligação
estudiosos: predicativo

- Predicativo do sujeito com verbo de ligação implícito:

"A garota ganhou o presente ansiosa"

A garota: sujeito
ganhou: verbo transitivo direto
o presente: objeto direto
ansiosa: predicativo do sujeito

Podemos notar que existe um verbo de ligação implícito antes de ansiosa, o "estar".

- Predicativo do objeto: sempre com verbo de ligação implícito.

"O juíz considerou o réu culpado"

O juíz: sujeito
considerou: verbo transitivo direto
o réu: objeto direto
culpado: predicativo do objeto

Aqui percebemos que "culpado" não é característica do sujeito "o juíz", e sim do objeto direto "o réu". Do mesmo modo, podemos notar a presença de um verbo de ligação implícito antes de "culpado", o verbo "estar".

Importantíssimo!!!! O predicativo do sujeito e o predicativo do objeto são características momentâneas, atreladas ao momento da ação. Essa é a principal diferença entre eles e o adjunto adnominal, que é uma característica permanente, instrínseca.


2.1 - Predicativo anteposto a mais de um substantivo:

A concordância, neste caso, se dará de forma atrativa ou gramatical.


"Estavam surpresas as mulheres e o homem." (atrativa)

"Estava surpreso o homem e as mulheres." (atrativa)

"Estavam surpresos o homem e as mulheres." (gramatical)

"O padre encontrou surpreso o homem e as mulheres." (atrativa)

"O padre encontrou surpresas as mulheres e o homem." (atrativa)

"O padre encontrou surpresos o homem e as mulheres." (gramatical)


2.2 - Predicativo posposto a mais de um substantivo:

A concordância se dará somente na forma gramatical.

"Homens e mulheres estavam surpresos." (gramatical)

"O padre encontrou homens e mulheres surpresos." (gramatical)

RESUMINDO:

Para facilitar a memorização, a prof.
Cláudia Kozlowski utiliza o seguinte processo mnemônico:

Adjunto Adnominal Anteposto: concordância Atrativa

Lembrando essa primeira concordância, de acordo com o processo mnemônico, podemos montar uma "tabela de balanceamento" para o resto.

Lembremos que existem 4 tipos de concordância, 2 para adjunto adnominal e 2 para predicativo.

====================================================================
Adjunto adnominal anteposto: ______ | Adjunto adnominal posposto: __________________
Predicativo anteposto: ___________ | Predicativo posposto: _______________________
====================================================================

Essa tabela será preenchida da seguinte forma:

- 3 elementos do lado anteposto e 3 elementos do lado posposto
- Adjunto adnominal e predicativo do sujeito só podem ter 3 elementos cada na tabela.
- Enquanto o elemento único do adjunto adnominal é o "atrativa", o do predicativo será "gramatical", por ser este (predicativo) exatamente o oposto daquele (adjunto adnominal).


Já sabemos que Adjunto adnominal anteposto tem concordância atrativa, então preenchamos na tabela.

====================================================================
Adjunto adnominal anteposto: atrativa | Adjunto adnominal posposto: _________________
Predicativo anteposto: ____________ | Predicativo posposto: ______________________
====================================================================

Já sabemos que adjunto adnominal possui 1 elemento sozinho, preenchamos com 2 o outro:

====================================================================
Adjunto adnominal anteposto: atrativa | Adjunto adnominal posposto: atrativa e gramatical
Predicativo anteposto: ____________ | Predicativo posposto: _____________________
====================================================================

O lado anteposto já tem 1 elemento, faltam 2 para chegar a 3.

====================================================================
Adjunto adnominal anteposto: atrativa | Adjunto adnominal posposto: atrativa e gramatical
Predicativo anteposto: atrativa e gramatical | Predicativo posposto:
====================================================================

Agora basta lembrar que o predicativo posposto, que é exatamente o inverso do adjunto adnominal anteposto, também será o inverso no tipo de concordância. Ao invés de atrativa, será gramatical.

====================================================================
Adjunto adnominal anteposto: atrativa | Adjunto adnominal posposto: atrativa e gramatical
Predicativo anteposto: atrativa e gramatical | Predicativo posposto: gramatical
====================================================================

Espero que essa metodologia de ensino os ajude! Agradeço eventuais comentários a respeito.

Em breve colocarei exercícios de concordância nominal.

Um abraço!

terça-feira, 7 de julho de 2009

Teoria: Fazer como verbo impessoal

Tudo bem pessoal?

Esta teoria segue a mesma linha do verbo Haver no sentido de tempo transcorrido.

Para quem não leu sobre o verbo Haver, não perca a oportunidade, inúmeras questões reiteradamente exigem o conhecimento das particularidades desse verbo, assim como do ora estudado.

Segue o link para a teoria do verbo Haver: http://portuguesdeverdade.blogspot.com/2009/07/teoria-haver-como-verbo-impessoal.html

Vamos lá então, começaremos com um exemplo:

"Faz dias que não chove."

A quem podemos imputar o fato verbal?

Em "Maria come muito" podemos dizer que o sujeito da ação vebal é Maria, mas e no exemplo superior? A resposta é: A ninguém. (E não venha falar que o sujeito é São Pedro.)

Portanto, o verbo Fazer indicando tempo transcorrido é um verbo impessoal, sem sujeito, devendo - portanto - permanecer na terceira pessoa do singular, pois somente se flexionam verbos que possuem sujeito.

Da mesma forma o verbo Fazer indicando fenômeno natural, como em: "Aqui em Goiânia faz 32°."

Para entender um pouco mais sobre verbos impessoais dê uma lida em: http://www1.folha.uol.com.br/folha/fovest/vimpessoais.shtml

Mais exemplos do verbo fazer com sentido de tempo transcorrido ou fenômeno natural (extraídos do link acima):

- "O Colégio Maxi existe faz quatorze anos."

- "Ontem fez dez anos que ele morreu."

- "Faz noites friíssimas nas serras gaúchas."

Um abraço a todos!

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Teoria: Expressão "mais de um".



Espero que
mais de um leitor esteja gostando do blog!

Opa! Mais de um não são dois?? Então por que o verbo auxiliar "esteja" da locução verbal "esteja gostando" não vai para o plural?

Este é um dos casos em que a lógica deve ser dissociada da técnica, o sujeito "um leitor" está determinado por um numeral que o mantém no singular, devendo o verbo concordar com ele em número e pessoa.

Este é um caso que é constantemente cobrado em provas pela facilidade do candidato em ser levado a concordar logicamente e aceitar o verbo no plural como correto.

Outro exemplo clássico é:

"Menos de dois leitores não gostaram do blog."

Menos de dois não é um? Pois é.., não obstante a falta de lógica o verbo "gostaram" vai para o plural para concordar com o sujeito que está determinado pelo numeral dois e se encontra no plural: dois leitores.

Abraços!

Teoria: Expressão "Um e outro / Nem um nem outro"

Opa!

Conforme prometido, falaremos agora das expressões "um e outro" e "nem um nem outro".

Começaremos com um exemplo:

"Um e outro homem ajudaram o reitor"

"Nem um nem outro homem ajudaram o reitor"

A concordância acima não é facilmente percebida devido à supressão de um termo que pode ser facilmente subentendido (elipse).

Podemos reescrever as frases da seguinte maneira:

"Um homem e outro homem ajudaram o reitor."
"Nem um homem nem outro homem ajudaram o reitor."

As conjunções "e" e "nem" são aditivas. No primeiro caso, mais de 1 homem ajudou o reitor, enquanto no segundo mais de 1 homem não ajudou o reitor, o que leva a nossa concordância para o plural.

Outro exemplo:

"Um e outro sanduíche gostosos." (Um sanduíche e outro sanduíche gostosos).

Entenderam?

Teoria: Expressão "A olhos vistos"

Tudo bem, pessoal?

Vamos discorrer agora sobre a expressão "a olhos vistos", que é uma expressão muito comum, muito utilizada e também muito cobrada em concursos.

Durante minhas pesquisas encontrei duas visões sobre esta expressão, a contemporânea (mais cobrada) e a arcaica, sobre as quais comentarei a seguir:

Contemporânea:

Defendida pelos gramáticos da atualidade, afirmam que a expressão "a olhos vistos" é uma locução adverbial (mais de um termo funcionando como um advérbio) e portanto, INVARIÁVEL.

Lembre-se que os advérbios formam uma classe gramatical que tem como principal função dar detalhes de como ocorre uma certa ação, expressa por um verbo, exprimindo circunstâncias em que esse processo se desenvolve.

No entanto, apesar da palavra advérbio lembrar a palavra verbo, ele não modifica somente os verbos, mas também os próprios advérbios e os adjetivos.

Mas por que o advérbio é invariável? Essa é uma pergunta que muito me fiz, mas a pergunta correta seria: Por que adjetivo, pronome adjetivo, numeral adjetivo, e artigo devem concordar com o substantivo a que se referem? A resposta é simples: É uma regra, algo originário da língua latina.

Pois bem, convencionou-se que iriam existir duas formas de concordância, a nominal e a verbal. Na nominal, artigo, adjetivo, pronome adjetivo e numeral adjetivo devem concordar com o substantivo a que se referem. Na verbal, o verbo se flexiona para concordar com o seu sujeito - quando houver. Como o advérbio não se enquadra em nenhuma dessas opções, deve sempre permanecer invariável, assim como suas locuções.

Retornando a nossa expressão "a olhos vistos", ela é uma adjunto adverbial de modo, que transformada em um advérbio clássico (com o sufixo -mente) ficaria: visivelmente.

Exemplo: "Ela engordou a olhos vistos."

Ou seja, ela engordou de modo visível.

Arcaica:

Já na visão arcaica, tão estranha quanto incomum, a palavra vistos não faz parte da locução adverbial, que passa a ser somente "a olhos", adjunto adverbial de instrumento.

No exemplo acima, o agora verbo "ver" deve concordar com o sujeito a que se refere (Ela):

"Ela engordou a olhos vista."

Que seria o mesmo que dizer: "Vista a olhos ela engordou" ou "Ela engordou vista a olhos", ensejando o sentido de que usando o instrumento "olhos" para ver a mulher (algo meio estranho pois de que outra maneira poderia se ver?), perceberemos que ela engordou.

Creio eu que os gramáticos atuais notaram o absurdo dessa segunda sentença e resolveram não mais adotá-la. No entanto, fique atento a uma banca mais conservadora que queira cobrar este segundo modo em prova.

Em breve postarei a teoria sobre as expressões "um e outro" e "mais de um", que, junto a essa, são necessários para a resolução do próximo exercício.

Um abraço!

Teoria: Haver como verbo impessoal

Tudo bem, pessoal?

Para a próxima questão necessitaremos entender o uso do verbo haver em duas situações especiais. De suas 26 possibilidades de uso que registra o dicionário Houaiss duas são de especial importância e, diga-se de passagem, não caem em concursos, DESPENCAM!

As supramencionadas possibilidades são: o verbo HAVER no sentindo de existir e no sentido de tempo transcorrido.

Tais verbos, ainda segundo o Houaiss, são verbos impessoais e possuem a transitividade direta (VTD), ou seja, não regem preposição para se ligar ao seu objeto (objeto direto).

Ser impessoal quer dizer que ninguém é responsável pela ação de existir ou do tempo ter transcorrido, não existe um sujeito a quem podemos imputá-las. Por este motivo, o verbo haver em tais situações ficará sempre na 3ª pessoa do singular, que é a nossa pessoa genérica, usada - entre outros casos - em indeterminações.

Vamos a exemplos:

Verbo haver no sentido de existir.

1 - Não mudaremos o país se não houver transformações profundas na Educação Básica.

Este haver está no sentido de existir, "se não existirem transformações..."

Poderíamos ficar tentados a flexionar o verbo haver de acordo com transformações, o que seria um erro, pois este é seu objeto direto, e não seu sujeito. Lembrando que sujeito é o elemento que se subordina (se sujeita, daí o nome) ao fato verbal, dando-lhe as flexões de número e de pessoa.

Então se não há sujeito na oração, não há que se falar em flexionar o verbo haver.

Não sei se perceberam, mas quando substituí o verbo haver pelo existir, eu o flexionei de acordo com transformações. Alguém sabe o porquê?

O verbo existir é um verbo intransitivo, ou seja, são verbos que possuem sentido completo, não necessitando de um objeto para complementar seu sentido. A simples oração "Existo." já passa uma informação completa.

Na frase "Não mudaremos o país se não existirem transformações profundas na Educação Básica.", transformações profundas não mais é objeto direto, agora passou a ser sujeito posposto ao verbo, devendo este (verbo) com aquele (sujeito) concordar. As transformações profundas estão sofrendo a ação de existir. E no haver? Neste transformações profundas é seu objeto direto, seu complemento verbal, necessário ao entendimento da mensagem passada pelo verbo haver, que sozinho não passa mensagem alguma.


Um "pega" bastante comum em provas, é usar locuções verbais (mais de um termo que funcionam como um verbo) com a palavra haver atuando como verbo principal ou verbo auxiliar.

Só para relembrar, em uma locução verbal, o verbo principal é aquele que traz a carga de sentido, sendo seu auxilar um.. auxiliar! É seu auxiliar que fará o trabalho sujo, devendo se flexionar em tempo, modo.. e com o sujeito - se houver um.

Exemplos:

1 - Deve haver mais livros nesta casa.

Deve: Verbo auxiliar, flexiona-se em tempo e modo mas não com o sujeito, pois não há um. (haver, seu verbo principal, está no sentido de existir, sendo impessoal.)

Haver: Verbo principal, não se flexiona de maneira alguma, pois é o verbo principal. Ademais, ele leva seu auxiliar à 3ª pessoa do singular por ser um verbo impessoal no sentido de existir.

1 - Haverão de existir mais livros nesta casa.

Haverão: Agora como verbo auxiliar, flexiona-se em tempo, modo e com o sujeito do verbo existir, que é "mais livros".

Existir: Verbo principal, não se flexiona mas manda seu auxiliar se flexionar para ele em tempo, modo e com seu sujeito "mais livros".

Perceberam a diferença? Quando o haver trabalha como principal ele não concorda com ninguém e manda seu auxiliar também não concordar. No entanto, quando este é um mero auxiliar, faz o que seu verbo principal manda.


Verbo haver no sentido de tempo transcorrido.

2 - "Há dois anos que não o vejo"

O verbo haver no sentido de tempo transcorrido é impessoal e possui transitividade direta, assim como no sentido de existir. Pelos mesmos motivos deve permanecer sempre na 3ª pessoa do singular.

Não dá para fazer muitos "pegas" com este caso, uma vez que percebamos se tratar de verbo haver no sentido de tempo transcorrido, terceira pessoa do singular nele!

Em breve exercícios sobre este assunto!

domingo, 5 de julho de 2009

Teoria: Partícula Apassivadora e Índice de Indeterminação do Sujeito



Pronome "SE" como Partícula Apassivadora ou
Índice de Indeterminação do Sujeito:
O pronome "SE", atrelado a um verbo pode ser usado em dois sentidos:
Partícula Apassivadora (O verbo deve concordar com o sujeito paciente)
Utilizada quando se quer construir uma oração na voz passiva sintética (formada por verbo transitivo direto, pronome "se" e sujeito paciente).

Portanto, só ocorre com verbos que possuam transitividade direta (VTD). Isso vale para os VTDI's, ou seja, verbos que são ao mesmo tempo transitivos direto e indireto.

Como se pode notar, para que uma oração seja transformada em voz passiva, é obrigatório que o verbo possua a transitividade direta. Mas por quê?

Simples! Pois o nosso objeto direto da voz ativa se transformará no nosso sujeito paciente da voz passiva:

- Voz ativa:

"O STF julgou o caso."


O SFT: Sujeito
julgou: VTD
o caso: Objeto Direto

- Voz passiva analítica:

"O caso foi julgado pelo STF."

O caso: Sujeito paciente
foi julgado: Locução verbal
pelo SFT: Agente da passiva

- Voz passiva sintética:

"Julgou-se o caso"

Julgou: VTD
se: Partícula Apassivadora
o caso: Sujeito paciente

Como o verbo descreve uma ação sofrida pelo sujeito paciente, com este deve concordar.

A voz passiva sintética é parecida com a voz ativa, no entanto a partícula apassivadora a coloca na passiva.

Mas e então, por que o verbo não pode ser transitivo indireto??

Isso se deve ao fato de não existir sujeito preposicionado (se lembra do motivo de o verbo ser chamado de transitivo indireto? A preposição que ele rege?). Pois bem, se transformarmos uma oração com VTI em passiva analítica, teremos um objeto indireto sendo transformado em sujeito paciente, mas como sujeito não pode ser preposicionado, a oração estaria incorreta.

A grande dificuldade reside no fato da oração em voz analítica sintética se parecer com a voz ativa, o que pode nos levar a não saber se o pronome "se" é partícula apassivadora ou não. Mas agora sabemos: Pronome "se" junto a um verbo transitivo direto ou transitivo direto e indireto é partícula apassivadora.

Se quiser ainda, procure perceber se existe uma ideia passiva na oração, exemplo:

(FCC / TCE SP / Dezembro 2005)
Analise a afirmação:

(E) Ainda que se vejam as fogueiras e se ouçam os gritos dos manifestantes, não há sinais de medidas que levem à solução da crise social que a tantos vitima.

Existe a ideia passiva de que as fogueiras são vistas e os gritos são ouvidos, sendo, de fato, orações na voz passiva sintética.


Índice de indeterminação: (O verbo ficará na 3ª pessoa do singular)
Como se depreende do acima exposto, se o verbo for transitivo indireto e estiver acompanhado do pronome "se", tal pronome será um índice de indeterminação do sujeito.

Usa-se construção de sujeito indeterminado quando não se sabe - ou não se quer
dizer – quem é o agente da ação verbal. Também é usado em orações de sentido
genérico, vago.
Como o sujeito é indeterminado, o verbo não pode concordar com ninguém, devendo sempre permanecer na
3ª pessoa do singular.

Exemplo:

"Necessitava-se, naqueles dias, de novas esperanças"

Necessitava: VTI (Conjugado na 3ª pessoa do singular)
se: índice de indeterminação do sujeito
naqueles dias: adjunto adverbial temporal
de novas esperanças: objeto indireto


É isso. Agora que temos a teoria, postarei questões relativas ao tema.

Um abraço!