segunda-feira, 6 de julho de 2009
Teoria: Expressão "mais de um".
Espero que mais de um leitor esteja gostando do blog!
Opa! Mais de um não são dois?? Então por que o verbo auxiliar "esteja" da locução verbal "esteja gostando" não vai para o plural?
Este é um dos casos em que a lógica deve ser dissociada da técnica, o sujeito "um leitor" está determinado por um numeral que o mantém no singular, devendo o verbo concordar com ele em número e pessoa.
Este é um caso que é constantemente cobrado em provas pela facilidade do candidato em ser levado a concordar logicamente e aceitar o verbo no plural como correto.
Outro exemplo clássico é:
"Menos de dois leitores não gostaram do blog."
Menos de dois não é um? Pois é.., não obstante a falta de lógica o verbo "gostaram" vai para o plural para concordar com o sujeito que está determinado pelo numeral dois e se encontra no plural: dois leitores.
Abraços!
Categoria:
concordância nominal,
mais de um,
menos de dois,
teoria
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Teoria: Expressão "Um e outro / Nem um nem outro"
Opa!
Conforme prometido, falaremos agora das expressões "um e outro" e "nem um nem outro".
Começaremos com um exemplo:
"Um e outro homem ajudaram o reitor"
"Nem um nem outro homem ajudaram o reitor"
A concordância acima não é facilmente percebida devido à supressão de um termo que pode ser facilmente subentendido (elipse).
Podemos reescrever as frases da seguinte maneira:
"Um homem e outro homem ajudaram o reitor."
"Nem um homem nem outro homem ajudaram o reitor."
As conjunções "e" e "nem" são aditivas. No primeiro caso, mais de 1 homem ajudou o reitor, enquanto no segundo mais de 1 homem não ajudou o reitor, o que leva a nossa concordância para o plural.
Outro exemplo:
"Um e outro sanduíche gostosos." (Um sanduíche e outro sanduíche gostosos).
Entenderam?
Conforme prometido, falaremos agora das expressões "um e outro" e "nem um nem outro".
Começaremos com um exemplo:
"Um e outro homem ajudaram o reitor"
"Nem um nem outro homem ajudaram o reitor"
A concordância acima não é facilmente percebida devido à supressão de um termo que pode ser facilmente subentendido (elipse).
Podemos reescrever as frases da seguinte maneira:
"Um homem e outro homem ajudaram o reitor."
"Nem um homem nem outro homem ajudaram o reitor."
As conjunções "e" e "nem" são aditivas. No primeiro caso, mais de 1 homem ajudou o reitor, enquanto no segundo mais de 1 homem não ajudou o reitor, o que leva a nossa concordância para o plural.
Outro exemplo:
"Um e outro sanduíche gostosos." (Um sanduíche e outro sanduíche gostosos).
Entenderam?
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teoria,
um e outro
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Teoria: Expressão "A olhos vistos"
Tudo bem, pessoal?
Vamos discorrer agora sobre a expressão "a olhos vistos", que é uma expressão muito comum, muito utilizada e também muito cobrada em concursos.
Durante minhas pesquisas encontrei duas visões sobre esta expressão, a contemporânea (mais cobrada) e a arcaica, sobre as quais comentarei a seguir:
Contemporânea:
Defendida pelos gramáticos da atualidade, afirmam que a expressão "a olhos vistos" é uma locução adverbial (mais de um termo funcionando como um advérbio) e portanto, INVARIÁVEL.
Lembre-se que os advérbios formam uma classe gramatical que tem como principal função dar detalhes de como ocorre uma certa ação, expressa por um verbo, exprimindo circunstâncias em que esse processo se desenvolve.
No entanto, apesar da palavra advérbio lembrar a palavra verbo, ele não modifica somente os verbos, mas também os próprios advérbios e os adjetivos.
Mas por que o advérbio é invariável? Essa é uma pergunta que muito me fiz, mas a pergunta correta seria: Por que adjetivo, pronome adjetivo, numeral adjetivo, e artigo devem concordar com o substantivo a que se referem? A resposta é simples: É uma regra, algo originário da língua latina.
Pois bem, convencionou-se que iriam existir duas formas de concordância, a nominal e a verbal. Na nominal, artigo, adjetivo, pronome adjetivo e numeral adjetivo devem concordar com o substantivo a que se referem. Na verbal, o verbo se flexiona para concordar com o seu sujeito - quando houver. Como o advérbio não se enquadra em nenhuma dessas opções, deve sempre permanecer invariável, assim como suas locuções.
Retornando a nossa expressão "a olhos vistos", ela é uma adjunto adverbial de modo, que transformada em um advérbio clássico (com o sufixo -mente) ficaria: visivelmente.
Exemplo: "Ela engordou a olhos vistos."
Ou seja, ela engordou de modo visível.
Arcaica:
Já na visão arcaica, tão estranha quanto incomum, a palavra vistos não faz parte da locução adverbial, que passa a ser somente "a olhos", adjunto adverbial de instrumento.
No exemplo acima, o agora verbo "ver" deve concordar com o sujeito a que se refere (Ela):
"Ela engordou a olhos vista."
Que seria o mesmo que dizer: "Vista a olhos ela engordou" ou "Ela engordou vista a olhos", ensejando o sentido de que usando o instrumento "olhos" para ver a mulher (algo meio estranho pois de que outra maneira poderia se ver?), perceberemos que ela engordou.
Creio eu que os gramáticos atuais notaram o absurdo dessa segunda sentença e resolveram não mais adotá-la. No entanto, fique atento a uma banca mais conservadora que queira cobrar este segundo modo em prova.
Em breve postarei a teoria sobre as expressões "um e outro" e "mais de um", que, junto a essa, são necessários para a resolução do próximo exercício.
Um abraço!
Vamos discorrer agora sobre a expressão "a olhos vistos", que é uma expressão muito comum, muito utilizada e também muito cobrada em concursos.
Durante minhas pesquisas encontrei duas visões sobre esta expressão, a contemporânea (mais cobrada) e a arcaica, sobre as quais comentarei a seguir:
Contemporânea:
Defendida pelos gramáticos da atualidade, afirmam que a expressão "a olhos vistos" é uma locução adverbial (mais de um termo funcionando como um advérbio) e portanto, INVARIÁVEL.
Lembre-se que os advérbios formam uma classe gramatical que tem como principal função dar detalhes de como ocorre uma certa ação, expressa por um verbo, exprimindo circunstâncias em que esse processo se desenvolve.
No entanto, apesar da palavra advérbio lembrar a palavra verbo, ele não modifica somente os verbos, mas também os próprios advérbios e os adjetivos.
Mas por que o advérbio é invariável? Essa é uma pergunta que muito me fiz, mas a pergunta correta seria: Por que adjetivo, pronome adjetivo, numeral adjetivo, e artigo devem concordar com o substantivo a que se referem? A resposta é simples: É uma regra, algo originário da língua latina.
Pois bem, convencionou-se que iriam existir duas formas de concordância, a nominal e a verbal. Na nominal, artigo, adjetivo, pronome adjetivo e numeral adjetivo devem concordar com o substantivo a que se referem. Na verbal, o verbo se flexiona para concordar com o seu sujeito - quando houver. Como o advérbio não se enquadra em nenhuma dessas opções, deve sempre permanecer invariável, assim como suas locuções.
Retornando a nossa expressão "a olhos vistos", ela é uma adjunto adverbial de modo, que transformada em um advérbio clássico (com o sufixo -mente) ficaria: visivelmente.
Exemplo: "Ela engordou a olhos vistos."
Ou seja, ela engordou de modo visível.
Arcaica:
Já na visão arcaica, tão estranha quanto incomum, a palavra vistos não faz parte da locução adverbial, que passa a ser somente "a olhos", adjunto adverbial de instrumento.
No exemplo acima, o agora verbo "ver" deve concordar com o sujeito a que se refere (Ela):
"Ela engordou a olhos vista."
Que seria o mesmo que dizer: "Vista a olhos ela engordou" ou "Ela engordou vista a olhos", ensejando o sentido de que usando o instrumento "olhos" para ver a mulher (algo meio estranho pois de que outra maneira poderia se ver?), perceberemos que ela engordou.
Creio eu que os gramáticos atuais notaram o absurdo dessa segunda sentença e resolveram não mais adotá-la. No entanto, fique atento a uma banca mais conservadora que queira cobrar este segundo modo em prova.
Em breve postarei a teoria sobre as expressões "um e outro" e "mais de um", que, junto a essa, são necessários para a resolução do próximo exercício.
Um abraço!
Categoria:
concordância nominal,
olhos vista,
olhos vistos,
teoria
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Questão 2
(Operador de Computador/IPLAN/Fundação Jõao Goulart) "Com a canção popular, hoje, costuma ocorrer fato diverso."
Promovem-se alterações nos verbos e em alguns termos da frase acima. A que encerra violação de norma gramatical é:
a) Com a canção popular, hoje, costuma haver fatos diversos.
b) Com a canção popular, hoje, podem haver fatos diversos.
c) Com a canção popular, hão de ocorrer fatos diversos.
d) Com a canção popular, hoje, há de haver fatos diversos.
------------------------------------------------------------
Comentários:
Ao batermos o olho na questão, notamos uma grande quantidade de verbos "haver", ou seja, estão querendo saber se conhecemos as particularidades deste verbo.
Você encontra a teoria necessária à resolução deste exercício em: http://portuguesdeverdade.blogspot.com/2009/07/teoria-haver-como-verbo-impessoal.html
O comando da questão está pedindo para que achemos a opção errada, vamos lá:
a) Com a canção popular, hoje, costuma haver fatos diversos. Concordância correta. Como o haver desta oração tem sentido de existir, ele é impessoal e enseja o uso da terceira pessoa do singular. Temos então que na locução verbal "costuma haver", o verbo auxiliar (costuma) e o principal (haver) devem estar na 3ª pessoa do singular, o que pudemos comprovar.
b) Com a canção popular, hoje, podem haver fatos diversos. Concordância errada. O haver desta oração tem também sentido de existir. Na locução verbal "podem haver", o auxiliar podem deve se subordinar ao principal haver e ficar na 3ª pessoa do singular, fato que não ocorre.
c) Com a canção popular, hão de ocorrer fatos diversos. Concordância correta. Na locução verbal "hão de ocorrer", o verbo haver é um mero auxiliar, devendo se flexionar como o verbo ocorrer se flexionaria se não existisse a locução, o que de fato ocorre.
d) Com a canção popular, hoje, há de haver fatos diversos. Concordância correta. Na locução verbal "há de haver" temos dois verbos haver, um como auxiliar e outro como principal. Como o principal, fora de uma locução verbal não se flexionaria (por ser impessoal no sentido de existir), seu auxiliar deve permanecer na 3ª pessoa do singular. Efetivamente é o que ocorre.
Gabarito: letra b
Categoria:
concordância verbal,
questão,
verbo haver
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Teoria: Haver como verbo impessoal
Tudo bem, pessoal?
Para a próxima questão necessitaremos entender o uso do verbo haver em duas situações especiais. De suas 26 possibilidades de uso que registra o dicionário Houaiss duas são de especial importância e, diga-se de passagem, não caem em concursos, DESPENCAM!
As supramencionadas possibilidades são: o verbo HAVER no sentindo de existir e no sentido de tempo transcorrido.
Tais verbos, ainda segundo o Houaiss, são verbos impessoais e possuem a transitividade direta (VTD), ou seja, não regem preposição para se ligar ao seu objeto (objeto direto).
Ser impessoal quer dizer que ninguém é responsável pela ação de existir ou do tempo ter transcorrido, não existe um sujeito a quem podemos imputá-las. Por este motivo, o verbo haver em tais situações ficará sempre na 3ª pessoa do singular, que é a nossa pessoa genérica, usada - entre outros casos - em indeterminações.
Vamos a exemplos:
Verbo haver no sentido de existir.
1 - Não mudaremos o país se não houver transformações profundas na Educação Básica.
Este haver está no sentido de existir, "se não existirem transformações..."
Poderíamos ficar tentados a flexionar o verbo haver de acordo com transformações, o que seria um erro, pois este é seu objeto direto, e não seu sujeito. Lembrando que sujeito é o elemento que se subordina (se sujeita, daí o nome) ao fato verbal, dando-lhe as flexões de número e de pessoa.
Então se não há sujeito na oração, não há que se falar em flexionar o verbo haver.
Não sei se perceberam, mas quando substituí o verbo haver pelo existir, eu o flexionei de acordo com transformações. Alguém sabe o porquê?
O verbo existir é um verbo intransitivo, ou seja, são verbos que possuem sentido completo, não necessitando de um objeto para complementar seu sentido. A simples oração "Existo." já passa uma informação completa.
Na frase "Não mudaremos o país se não existirem transformações profundas na Educação Básica.", transformações profundas não mais é objeto direto, agora passou a ser sujeito posposto ao verbo, devendo este (verbo) com aquele (sujeito) concordar. As transformações profundas estão sofrendo a ação de existir. E no haver? Neste transformações profundas é seu objeto direto, seu complemento verbal, necessário ao entendimento da mensagem passada pelo verbo haver, que sozinho não passa mensagem alguma.
Um "pega" bastante comum em provas, é usar locuções verbais (mais de um termo que funcionam como um verbo) com a palavra haver atuando como verbo principal ou verbo auxiliar.
Só para relembrar, em uma locução verbal, o verbo principal é aquele que traz a carga de sentido, sendo seu auxilar um.. auxiliar! É seu auxiliar que fará o trabalho sujo, devendo se flexionar em tempo, modo.. e com o sujeito - se houver um.
Exemplos:
1 - Deve haver mais livros nesta casa.
Deve: Verbo auxiliar, flexiona-se em tempo e modo mas não com o sujeito, pois não há um. (haver, seu verbo principal, está no sentido de existir, sendo impessoal.)
Haver: Verbo principal, não se flexiona de maneira alguma, pois é o verbo principal. Ademais, ele leva seu auxiliar à 3ª pessoa do singular por ser um verbo impessoal no sentido de existir.
1 - Haverão de existir mais livros nesta casa.
Haverão: Agora como verbo auxiliar, flexiona-se em tempo, modo e com o sujeito do verbo existir, que é "mais livros".
Existir: Verbo principal, não se flexiona mas manda seu auxiliar se flexionar para ele em tempo, modo e com seu sujeito "mais livros".
Perceberam a diferença? Quando o haver trabalha como principal ele não concorda com ninguém e manda seu auxiliar também não concordar. No entanto, quando este é um mero auxiliar, faz o que seu verbo principal manda.
Verbo haver no sentido de tempo transcorrido.
2 - "Há dois anos que não o vejo"
O verbo haver no sentido de tempo transcorrido é impessoal e possui transitividade direta, assim como no sentido de existir. Pelos mesmos motivos deve permanecer sempre na 3ª pessoa do singular.
Não dá para fazer muitos "pegas" com este caso, uma vez que percebamos se tratar de verbo haver no sentido de tempo transcorrido, terceira pessoa do singular nele!
Em breve exercícios sobre este assunto!
Para a próxima questão necessitaremos entender o uso do verbo haver em duas situações especiais. De suas 26 possibilidades de uso que registra o dicionário Houaiss duas são de especial importância e, diga-se de passagem, não caem em concursos, DESPENCAM!
As supramencionadas possibilidades são: o verbo HAVER no sentindo de existir e no sentido de tempo transcorrido.
Tais verbos, ainda segundo o Houaiss, são verbos impessoais e possuem a transitividade direta (VTD), ou seja, não regem preposição para se ligar ao seu objeto (objeto direto).
Ser impessoal quer dizer que ninguém é responsável pela ação de existir ou do tempo ter transcorrido, não existe um sujeito a quem podemos imputá-las. Por este motivo, o verbo haver em tais situações ficará sempre na 3ª pessoa do singular, que é a nossa pessoa genérica, usada - entre outros casos - em indeterminações.
Vamos a exemplos:
Verbo haver no sentido de existir.
1 - Não mudaremos o país se não houver transformações profundas na Educação Básica.
Este haver está no sentido de existir, "se não existirem transformações..."
Poderíamos ficar tentados a flexionar o verbo haver de acordo com transformações, o que seria um erro, pois este é seu objeto direto, e não seu sujeito. Lembrando que sujeito é o elemento que se subordina (se sujeita, daí o nome) ao fato verbal, dando-lhe as flexões de número e de pessoa.
Então se não há sujeito na oração, não há que se falar em flexionar o verbo haver.
Não sei se perceberam, mas quando substituí o verbo haver pelo existir, eu o flexionei de acordo com transformações. Alguém sabe o porquê?
O verbo existir é um verbo intransitivo, ou seja, são verbos que possuem sentido completo, não necessitando de um objeto para complementar seu sentido. A simples oração "Existo." já passa uma informação completa.
Na frase "Não mudaremos o país se não existirem transformações profundas na Educação Básica.", transformações profundas não mais é objeto direto, agora passou a ser sujeito posposto ao verbo, devendo este (verbo) com aquele (sujeito) concordar. As transformações profundas estão sofrendo a ação de existir. E no haver? Neste transformações profundas é seu objeto direto, seu complemento verbal, necessário ao entendimento da mensagem passada pelo verbo haver, que sozinho não passa mensagem alguma.
Um "pega" bastante comum em provas, é usar locuções verbais (mais de um termo que funcionam como um verbo) com a palavra haver atuando como verbo principal ou verbo auxiliar.
Só para relembrar, em uma locução verbal, o verbo principal é aquele que traz a carga de sentido, sendo seu auxilar um.. auxiliar! É seu auxiliar que fará o trabalho sujo, devendo se flexionar em tempo, modo.. e com o sujeito - se houver um.
Exemplos:
1 - Deve haver mais livros nesta casa.
Deve: Verbo auxiliar, flexiona-se em tempo e modo mas não com o sujeito, pois não há um. (haver, seu verbo principal, está no sentido de existir, sendo impessoal.)
Haver: Verbo principal, não se flexiona de maneira alguma, pois é o verbo principal. Ademais, ele leva seu auxiliar à 3ª pessoa do singular por ser um verbo impessoal no sentido de existir.
1 - Haverão de existir mais livros nesta casa.
Haverão: Agora como verbo auxiliar, flexiona-se em tempo, modo e com o sujeito do verbo existir, que é "mais livros".
Existir: Verbo principal, não se flexiona mas manda seu auxiliar se flexionar para ele em tempo, modo e com seu sujeito "mais livros".
Perceberam a diferença? Quando o haver trabalha como principal ele não concorda com ninguém e manda seu auxiliar também não concordar. No entanto, quando este é um mero auxiliar, faz o que seu verbo principal manda.
Verbo haver no sentido de tempo transcorrido.
2 - "Há dois anos que não o vejo"
O verbo haver no sentido de tempo transcorrido é impessoal e possui transitividade direta, assim como no sentido de existir. Pelos mesmos motivos deve permanecer sempre na 3ª pessoa do singular.
Não dá para fazer muitos "pegas" com este caso, uma vez que percebamos se tratar de verbo haver no sentido de tempo transcorrido, terceira pessoa do singular nele!
Em breve exercícios sobre este assunto!
Categoria:
concordância verbal,
teoria,
verbo haver
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domingo, 5 de julho de 2009
Questão 1
(Agente Policial/Academia de Polícia-SP/Secretaria de Segurança Pública-SP) Aponte a alternativa correta.
a) Aluga-se casas.
b) Vendem-se apartamentos.
c) Precisa-se pedreiros.
d) Precisam-se de pedreiros.
-------------------------------------
Comentários:
- Esta questão está querendo testar se sabemos a diferença do pronome "se" como índice de indeterminação do sujeito ou como partícula apassivadora. Assunto explicado em: http://portuguesdeverdade.blogspot.com/2009/07/pronome-se-como-indice-de.html
Pois bem,
a) Aluga-se casas. Errado. Quem aluga, aluga algo. O verbo "alugar" é, portanto, transitivo direto. Como aprendemos, o pronome "se" junto a um VTD é um pronome apassivador. Sendo assim, o verbo deve concordar com o sujeito "casas", indo para o plural. O correto seria: Alugam-se casas.
b) Vendem-se apartamentos. Certo. Quem vende, vende algo. A mesma explicação da letra "a" se aplica neste caso. O verbo vender está corretamente no plural, concordando com o sujeito paciente apartamentos.
c) Precisa-se pedreiros. Errado. O verbo precisar no sentido de necessitar pode ser utilizado tanto de forma transitiva direta (não usual) quanto de forma transitiva indireta, não alterando o sentido. Neste caso está sendo utilizado como VTD, sendo o pronome "se" partícula apassivadora. O verbo deveria, então, concordar com o sujeito pedreiros, o que não acontece. O correto seria: Precisam-se pedreiros.
d) Precisam-se de pedreiros. Errado. Agora sim o verbo precisar está sendo usado na forma mais usual, com sua transitividade indireta através do pronome de. No entanto, como aprendemos, o pronome "se" junto a VTI e VTDI é uma partícula apassivadora, o que leva o verbo à 3ª pessoa do singular. O correto seria: Precisa-se de pedreiros.
Gabarito: letra b
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Teoria: Partícula Apassivadora e Índice de Indeterminação do Sujeito
Pronome "SE" como Partícula Apassivadora ou Índice de Indeterminação do Sujeito:
O pronome "SE", atrelado a um verbo pode ser usado em dois sentidos:
Partícula Apassivadora (O verbo deve concordar com o sujeito paciente)
Utilizada quando se quer construir uma oração na voz passiva sintética (formada por verbo transitivo direto, pronome "se" e sujeito paciente).
Portanto, só ocorre com verbos que possuam transitividade direta (VTD). Isso vale para os VTDI's, ou seja, verbos que são ao mesmo tempo transitivos direto e indireto.
Como se pode notar, para que uma oração seja transformada em voz passiva, é obrigatório que o verbo possua a transitividade direta. Mas por quê?
Simples! Pois o nosso objeto direto da voz ativa se transformará no nosso sujeito paciente da voz passiva:
- Voz ativa:
"O STF julgou o caso."
O SFT: Sujeito
julgou: VTD
o caso: Objeto Direto
- Voz passiva analítica:
"O caso foi julgado pelo STF."
O caso: Sujeito paciente
foi julgado: Locução verbal
pelo SFT: Agente da passiva
- Voz passiva sintética:
"Julgou-se o caso"
Julgou: VTD
se: Partícula Apassivadora
o caso: Sujeito paciente
Como o verbo descreve uma ação sofrida pelo sujeito paciente, com este deve concordar.
A voz passiva sintética é parecida com a voz ativa, no entanto a partícula apassivadora a coloca na passiva.
Mas e então, por que o verbo não pode ser transitivo indireto??
Isso se deve ao fato de não existir sujeito preposicionado (se lembra do motivo de o verbo ser chamado de transitivo indireto? A preposição que ele rege?). Pois bem, se transformarmos uma oração com VTI em passiva analítica, teremos um objeto indireto sendo transformado em sujeito paciente, mas como sujeito não pode ser preposicionado, a oração estaria incorreta.
A grande dificuldade reside no fato da oração em voz analítica sintética se parecer com a voz ativa, o que pode nos levar a não saber se o pronome "se" é partícula apassivadora ou não. Mas agora sabemos: Pronome "se" junto a um verbo transitivo direto ou transitivo direto e indireto é partícula apassivadora.
Se quiser ainda, procure perceber se existe uma ideia passiva na oração, exemplo:
(FCC / TCE SP / Dezembro 2005)
Analise a afirmação:
(E) Ainda que se vejam as fogueiras e se ouçam os gritos dos manifestantes, não há sinais de medidas que levem à solução da crise social que a tantos vitima.
Existe a ideia passiva de que as fogueiras são vistas e os gritos são ouvidos, sendo, de fato, orações na voz passiva sintética.
Índice de indeterminação: (O verbo ficará na 3ª pessoa do singular)
Como se depreende do acima exposto, se o verbo for transitivo indireto e estiver acompanhado do pronome "se", tal pronome será um índice de indeterminação do sujeito.
Usa-se construção de sujeito indeterminado quando não se sabe - ou não se quer
dizer – quem é o agente da ação verbal. Também é usado em orações de sentido
genérico, vago.
Como o sujeito é indeterminado, o verbo não pode concordar com ninguém, devendo sempre permanecer na 3ª pessoa do singular.
Exemplo:
"Necessitava-se, naqueles dias, de novas esperanças"
Necessitava: VTI (Conjugado na 3ª pessoa do singular)
se: índice de indeterminação do sujeito
naqueles dias: adjunto adverbial temporal
de novas esperanças: objeto indireto
É isso. Agora que temos a teoria, postarei questões relativas ao tema.
Um abraço!
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